Desenvolvimento Sustentável 2012-2050: Visão, Rumos e Contradições
Publicado em Jun 17 2012

Há mais de um ano o engenheiro Fernando Almeida iniciou a empreitada de organizar e reunir 19 especialistas em diversas áreas de sustentabilidade para a publicação do livro Desenvolvimento Sustentável 2012-2050: Visão, Rumos e Contradições. O lançamento da coletânea ocorreu na última sexta-feira (15), no Rio de Janeiro. O livro é marcado pela abordagem transdisciplinar de questões como ambiente, clima, economia e transportes, entre outros, todos temas de relevância para os debates em pauta na Rio+20..

Entre as páginas 175 e 193 da publicação, o leitor encontrará o capítulo Transporte Sustentável no Século Urbano, assinado pelo diretor-presidente da EMBARQ Brasil, Luis Antonio Lindau, o ex-presidente do Instituto de Recursos Mundiais (WRI), Jonathan Lash e pelo cientista político Jacob Koch.

A noite de lançamento contou com as presenças dos diretores mundiais da EMBARQ , Holger Dalkmann e Clayton Lane, da diretora de Relações Estratégicas e Desenvolvimento da EMBARQ Brasil, Rejane D. Fernandes, do Subsecretário-Geral da ONU e Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner, e do ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa. O colombiano é conhecido pelo sucesso de sua gestão (1998-2001) na transformação urbana de Bogotá, através de medidas de valorização dos transportes coletivo e não-motorizado.

Leia, abaixo, o trecho de conclusão do artigo Transporte Sustentável no Século Urbano:

As cidades são as encruzilhadas em nossa batalha contra a pobreza, a mudança climática e a degradação do meio ambiente. Temos uma escolha a fazer. Temos, diante de nós, dois caminhos: as cidades podem ser o motor da mudança e da transformação e indicar o caminho rumo a um futuro sustentável de uma vida com baixa emissão de gases poluentes e prosperidade ou continuarão a facilitar padrões de consumo que poluem, destroem e ferem irrevogavelmente nosso frágil planeta e aumentam o abismo social.

A pegada de carbono das pessoas que vivem em cidades atendidas por um sistema de transporte de alta densidade, misto, é menor que a das que vivem em regiões nas quais dependem do automóvel para se locomover. Elas também são mais felizes, mais ricas e mais seguras. O local onde vivemos determina nosso estilo de vida e nosso impacto ambiental.

O Brasil será a quinta economia mundial nos próximos anos e estará mais
visível ao mundo devido aos eventos internacionais. Receberá os líderes mundiais na Conferência Rio+20, as melhores seleções de futebol na Copa do Mundo da FIFA e os melhores atletas de todo o planeta nos Jogos Olímpicos.

As cidades brasileiras estão prontas para enfrentar os desafios e fazer as
escolhas certas rumo a um futuro sustentável? Estão prontas para competir
com outras cidades do mundo por investimentos internacionais? Ou a ausência crônica de infraestrutura impedirá o crescimento esperado? Como os governos locais obterão a capacidade técnica e a expertise necessária para planejar e implementar projetos complexos de transporte? De onde virão as ideias para empurrar a cidade para frente? Quem vai propor a próxima inovação em transporte sustentável?

O pensamento de curto prazo predominante entre os políticos preocupados
com a próxima eleição não será suficiente. O terceiro setor organizado é parte central da equação. Sem a voz do povo exigindo decisões políticas que favoreçam o transporte sustentável, é improvável que a atual situação melhore.

As cidades precisam inspirar uma liderança dedicada ao planejamento de
sustentabilidade no longo prazo para provocar mudanças permanentes.