Há 35 anos envolvido ativamente com mobilidade urbana e políticas públicas, o consultor em transporte público da ANTP, Eduardo Vasconcellos, falou sobre sua perspectiva a respeito do BRT (Bus Rapid Transit) e da importância do marketing voltado aos jovens para o sucesso de um sistema. Vasconcellos é doutor em Políticas Públicas pela USP, pós-doutor em Planejamento de Transportes na Cornell University, e autor do livro “Transporte Urbano nos Países em Desenvolvimento: Reflexões e Propostas” no qual dá sugestões de políticas públicas efetivas de desenvolvimento no setor.
Entre as possibilidades de um transporte integrado de qualidade, o consultor entende que o BRT pode ser uma boa alternativa, desde que seja implantado da melhor forma. “O BRT já evoluiu bastante, tem exemplos de sucesso no mundo inteiro como o Transmilenio (Bogotá, Colômbia), certamente é um investimento muito interessante. Mas não podemos esquecer que um sistema de transporte público deve abranger todos os pontos da cidade e ser reconhecido pela população como algo bom, de boa qualidade. Se o sistema BRT for, de fato, bem implementado, valerá a pena.”
A diminuição do uso do transporte coletivo no Brasil é visível e pode diminuir a demanda pela metade nos próximos 20 anos, segundo o consultor. O marketing surge como ferramenta para evitar que isso aconteça. “Como o Brasil está perdendo demanda no seu transporte público, tudo que pudermos fazer para conquistar as pessoas e mantê-las dentro do sistema é muito bom, principalmente entre a juventude do país, que só vai pegar ônibus se for convencida de que vale a pena, que é uma coisa boa.”
O marketing pode ser um aliado crucial na missão de cativar o usuário. Para Vasconcellos, a tendência em se aproximar dos passageiros através de campanhas amigáveis, que levem mais informação, ainda é pouco explorada: “deixar o usuário bem servido é a chave do sucesso, mas o empresariado brasileiro ainda precisa aprender como lidar com isso. É preciso pessoas especializadas, que utilizem a linguagem certa para se comunicar com o usuário. Na ANTP, temos uma comissão de marketing há 10 anos que faz esse esforço, assim como vocês da EMBARQ Brasil estão fazendo”, diz, lembrando do recém lançado Manual de Marketing BRT. Apesar do avanço, o especialista entende que ainda há um descaso com o marketing dos sistemas em vigor, já que os usuários sempre tiveram opções muito escassas: ”o sistema brasileiro de transporte público nunca se preocupou com os usuários porque estes não tinham alternativas; por isso os empresários nunca se importaram. Mas com a queda da demanda e o aumento das alternativas isso está começando a mudar e o marketing ganha cada vez mais importância.”
O consultor acredita, porém, que apenas debater não é o suficiente. É necessário agir e, por isso, é um grande apoiador de políticas públicas efetivas que limitem o uso do carro particular para que, assim, as emissões de poluentes diminuam, além de estimular as pessoas a ter outras opções de mobilidade nas cidades. Transportes integrados e acessíveis que englobem rapidez, conforto, baixo custo e segurança.
