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Aos poucos, sistemas car-share surgem no Brasil

Car2Go é sistema de compartilhamento de carros bem sucedido presente nos Estados Unidos e Canadá. (Foto: prayitnophotography/Flickr)

É compreensível que algumas pessoas não consigam viver sem automóvel nas cidades. Porque não se sentem confortáveis ou seguras em utilizar o transporte coletivo ou a bicicleta. Porque a infraestrutura não é adequada, porque o serviço é de baixa qualidade, porque se tem filhos para buscar, porque usar o carro é mais fácil. Ele está ali sempre disponível. Essa história faz sentido quando se pensa individualmente, mas de forma coletiva ela onera toda a sociedade de formas social, ambiental e econômica.

Liberdade para ir e vir na cidade é tudo de bom e não deveria ser um problema. Como então se deslocar de forma eficiente? Soluções de transporte coletivo, como as faixas de ônibus e os sistemas BRT (Bus Rapid Transit), de desenho urbano em prol do transporte sustentável, de compartilhamento de bicicleta, de aplicativos urbanos, já existem no Brasil e estão se popularizando cada vez mais.

Mas ainda existe uma alternativa pouco explorada, ensaiando os primeiros passos no Brasil, e que tem potencial de transformar a relação das pessoas com os automóveis: os sistemas de compartilhamento de carro. Já imaginou pegar um carro “público” na rua, dirigir até onde for necessário, estacionar e não ter mais que se preocupar com ele? Isso existe. Exemplo é o Car2Go, sistema presente nos Estados Unidos e Canadá que é tão simples quanto parece. O usuário se cadastra no site e recebe um cartão de acesso em casa. Com um aplicativo, dá pra encontrar o carro mais próximo para usar e estacionar em qualquer lugar. O usuário mais próximo vai encontrar o carro e assim por diante.

Para ter ideia do impacto que essa iniciativa pode ter, um estudo mostrou que, em dez regiões metropolitanas dos Estados Unidos com serviços car-share, como ZazCar e ZipCar, como o para cada carro oferecido, 32 vendas de automóveis particulares foram evitadas.

O Recife (PE) recentemente inaugurou o primeiro sistema desse tipo no Brasil. Os carros elétricos Porto Leve começaram a funcionar em dezembro do ano passado com uma frota inicial de cinco veículos, a um plano mensal de R$ 30, o que sai muito mais barato que ter carro próprio. Um aspecto interessante é que o sistema incentiva que pessoas utilizem-no com um passageiro carona para reduzir custos e otimizar a viagem. O objetivo da companhia é disponibilizar mais três estações de carros elétricos ainda neste ano.

Carro elétrico em Recife iniciou operações em dezembro passado e pretende ampliar estações em 2015. (Foto: Porto Leve/divulgação)

Em Porto Alegre, iniciativa similar está para começar a funcionar. Alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) idealizaram o Sistema Veicular Inteligente (Sivi), que vai operar inicialmente entre os dois campi na cidade em fase de testes. A ideia é utilizar um aplicativo para desbloquear o veículo num campus e devolvê-lo em outro. O projeto é experimental, mas os planos da start-up, se o Sivi der certo, são de expandir o sistema pela cidade.

Outra iniciativa, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É o Podshare, que está em fase de testes. Com acesso similar ao Car2Go, o usuário – físico ou jurídico -, ao realizar um cadastro, ganha um cartão magnético de acesso. Basta reservar, retirar e devolver nas estações.

O futuro é promissor e o campo da mobilidade urbana tem espaço de sobra para inovação e criação de soluções com tecnologia e muita criatividade. Esperamos que nossas cidades desenvolvam seus sistemas car-share com sucesso e que a cultura do uso compartilhado seja mais forte. Enquanto isso não acontece, usar transporte coletivo, bicicleta, aplicativos urbanos e caminhar são pequenas ações que impactam o bem estar coletivo nas cidades.

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